segunda-feira, junho 6

Declarações - I

A minha atividade preferida é pensar em você. E saiba que nem me importo em ter que fazê-la todos os dias, sempre. Rabiscando meu caderno com seu nome, decorando essa geometria perfeita que vejo no seu rosto e fazendo poesia boba pra ti.
Hiperatividade é o que tenho quando tu fica longe, não me concentro em nada e fico refazendo você aqui comigo, seus olhos, seus risos, nós dois.

domingo, janeiro 17

Existência (Versos banais)


Experimente ser você
mesmo que ser você 
seja ser também um pouco triste.

Experimente
conjugar no presente
a lista de verbos importantes
que a vida te ensina todo dia.

Nasceu?
Então aprenda a sorrir
pensar
agir
chorar
falar 
calar
sonhar
ousar
sofrer
perdoar
sentir 
viver
 e então,
 morrer.

domingo, janeiro 3

Broto de amor


Não tire os teus olhos negros de mim
Pense em nós como uma composição de Caetano
Poesia nua, amor puro, sonho a dois

Não tire os teus longos braços de mim
Cada verso dessa canção diz eu te amo
Em todos os tempos verbais, antes e depois

Fique por mim, por nós, pela canção,
que seja
Ria pra mim, sem voz, silenciosamente,
mas perceba

A canção tem altos e baixos,
tem melismas, do, ré mi, fá, sol
 E lá no peito pulsa uma criança
que nasce toda vez que você canta 
e me encanta
e espanta
Todo medo de morrer
padecer
e entristecer
O amor que eu plantei
e regando entre lágrimas
um dia vi brotar.


quarta-feira, dezembro 30

Meu bem


Eu sei que você não faz ideia do que aconteceu com a minha vida depois que você chegou. Eu sei, eu sei, finjo muito bem! Mas desde aquele dia em que você me olhou nos olhos e me recitou um poema de rimas ruins, só pra me fazer sorrir da sua capacidade de ser tão bobo e engraçado, eu comecei a te ver com outros olhos. Claro que não foi por causa do seu poema horrendo e clichê!
Acho que foi com o tempo e eu não percebi. Ás vezes parece que fui me apaixonando por partes, sabe? Você me conquistou descaradamente e se escondeu no porão do meu peito. Arrumou a bagunça que outra pessoa tinha deixado, quando fugiu dele e jogou as chaves na lixeira.
Mas agora tenho medo de dizer o que sinto. Nós somos tão amigos, dividimos tanto de nós mesmos um com o outro. Eu fico apreensiva e desesperada só de pensar na possibilidade de você achar que estou sendo tola e confundindo as coisas. Porém, fico surtando e roendo as unhas toda vez que penso, imagino, fantasio longinquamente a possibilidade mínima de você dizer que sente o mesmo por mim.
Eu finjo bem, eu sei. Mas está começando a ficar difícil sufocar toda a vontade que tenho de te dar todo o meu amor e de te fazer todas as juras que guardo no peito, desde o dia em que você abriu meu porão e pôs aquela música pra tocar.


Para ler ao som de "Pétala - Djavan".


Sou só mais um ou sou um só?


Quem um dia eu fui?
Em quem eu me transformei? 
O que sou hoje?
Quem serei depois das seis?

Quem deixei que vissem em mim?
Quem escondi pra ninguém encontrar?
Com quem me pareço quando sou eu?
Diferente de quem eu posso me tornar?

Qual face devo usar hoje?
Tenho mil e tantas, tanto faz.
Como devo me comportar antes da meia noite
até me esconder em um dos sepulcros em que meu eu jaz?

Quem um dia eu fui?
Em quem me transformei?
O que é que eu sou hoje?
Quem serei antes das seis?

Qual sorriso é o mais sincero?
Pra quem é que eu devo sempre sorrir?
Com que olhar devo olhar o outro?
Será que ele também tem sepulcros e jaz dentro de si?

Em quem vou me transformar um dia?
Com quem é que eu vou me parecer?
 Como é que a gente deixa de ser como era antes?
Será que eu sou mesmo do jeito que eu devia ser?


Das perguntas que a gente faz sem pensar 
ou pensa sem nunca fazer.

segunda-feira, dezembro 7

Navegante




Perceba-me como um pequeno barco 
abandonado em um velho cais
procurando refúgio em algum lugar
silenciosamente, um vestígio qualquer de paz

olho para o mar e sou tomado pelo medo
só o canto dos pássaros me acalma
mas logo se torna enfadonho, mesmice
tão sem rumo quanto o balançar destas águas

que me levam e me deixo ir
ao desconhecido, ao incerto, ao mar
não sei o caminho, não tenho trilha
não sei partir, não sei voltar

mas se o mar me der paz
se o mar me ajudar a ouvir minha própria voz
disposto estou a navegar sem rumo
sem caminho
sem trilha
sem ver
sem ter
só sendo,
sendo quem sou,
sem porque, sem pra quê,
só por ser.

...Mar, me presenteie com um pouco de paz
afaste de mim toda palavra que o vento traz.
Hoje eu só quero me ouvir um pouco
eu só quero me lembrar de quem eu sou.

[J. M.]




domingo, setembro 20

Regresso


Parei pra pensar em como voltar a rabiscar algo por aqui. Sinceramente? Não faço ideia de como começar. Faz muito tempo que abandonei essa forma de expor o que sinto através das palavras. Pra falar a verdade, eu sinto uma enorme saudade disso.
A correria do cotidiano, o grito das obrigações no ouvido me dizendo que tenho que crescer, amadurecer, ser alguém na vida, foram me roubando parte de mim, parte esta que se manteve aqui neste amontoado de palavras escritas, tão exposto, mas ao mesmo tempo, tão escondido de tudo e de todos (sem muitas visualizações, como sempre).
Decidi tentar recuperar esse pedacinho de mim. Tenho tido a necessidade de me esvaziar da melhor forma que aprendi.
Espero que esse seja a primeira escrita (meio "muito" sem noção) de muitas outras neste meu refúgio, diante desse cotidiano apressado, cheio de números, pessoas, sentimentos e mudanças!

domingo, outubro 28

Ingênuos


O desejo de cuidar sempre chega ao coração
quando o pensamento se rende a outro ser,
a vontade de amar sempre toma a emoção,
quando das próprias vontades se abdica 
ao encantar-se por aquele outro ser.

Nasce então uma alegria, que teimosamente
em felicidade um dia se transformará,
já que o sentido do amor é perpetuar sorrisos
em lábios que se amam no findar de cada dia,
buscando a tal felicidade, em quem a alegria
quer um dia se transmutar.

Quando humanamente somos capazes de perceber,
os olhares já se cruzaram e se encontraram num tempo futuro
que sabe dizer da nossa alegria, dos nossos encontros;
quando ingenuamente notamos, duas vidas já transformaram-se em apenas uma;
é que o amor faz milagre, o amor quer casa, o amor quer existir,
o amor quer ser maior, que é pra poder se fazer pequeno 
perto da grandeza que é aprender a reciprocamente sempre amar.

Humanos e ingênuos é o que somos, quando nos deparamos com o tal do amor. 

Desejo indiscreto


E eu consigo enxergar nestes olhos teus, negros como a noite, o amor que eu indiscretamente sempre desejei pra mim. Às vezes por alguns instantes, eu tenho a impressão de que o amor se transforma para mim em algo concreto e palpável quando dirijo os meus olhos a você, mas percebo que rapidamente tal ideia se esvai, talvez em instantes mais curtos ainda,  já que o amor não pode ser tocado, o amor não é matéria!

 No final de tudo isso, sempre acabo ficando apenas com este teu intenso olhar, que venerando-me assim numa reciprocidade única e perfeita, se parece em demasia com o amor que eu indiscretamente sempre desejei pra mim. 

Lugares Proibidos
(Adriana Calcanhotto)

"Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar..."




terça-feira, outubro 2

O coração do meu moço



E esse meu amor que eu guardo no peito meu, bem protegido de todos os males e olhares, é todo teu, seu moço. 
Eu? Ah, eu sou apenas uma guardiã do meu amor que é teu. Não faço outra coisa a não ser contemplar o amor que um dia poderei lhe dar.
Quando tu o quiseres, seu moço, basta pedir-me as chaves para abrir o coração que me deixaram a vigiar, pois vivo esperando a sua chegada, qualquer ruído já faz o peito palpitar de esperanças.
Sempre me perguntam como posso saber que o amor que guardo às chaves no meu coração, pertence ao moço. Eu sempre respondo com esse meu sorriso vexado, meio avergonhado, que se o meu amor não fosse desse moço, oras, não seria amor! Sempre dou-lhes as costas despercebidamente, mas sem nenhuma falta de minha educação.
Indagam-me sempre sobre o que seria se não fosse amor. E eu sempre digo sorridente, com esses meus olhos  quase que querendo ser o próprio amor que, se o meu amor não fosse do meu moço,  seria qualquer sentimento, qualquer palavra solta de um verso, um pobre passo falso ou até uma vida na contramão. Na certeza de que é  sincero o  amor, o amor do meu moço que já tem meu coração, sempre saio cantarolando as cantigas ensinadas às donzelas enamoradas.
Quando sozinha, a vigiar meu coração que guarda o amor, eu sempre fico a pensar que pra ser amor por todo esse tempo que se finda dia a dia num infinito de realidade, esse amor há de ser teu, moço. E se não for teu, nunca será amor. E sei que tu também já sabes bem.

Se não fosse teu, não seria amor, moço.
Se não fosse teu meu coração, eu jamais saberia como amar.

sábado, maio 5

Presente




E desde o momento que eu te encontrei e que te reconheci como meu, tenho buscado ser melhor, tenho tido em mim todos os sonhos do mundo, tenho feito tudo com mais afinco. 
Os planos que por muito tempo eu escondi dentro do peito, hoje compartilho com você. O amor que eu tanto guardei e protegi, hoje eu confio em tuas mãos, e deixo você ir me cativando a cada dia para que esse amor cresça sempre, um pouco mais.



terça-feira, março 27



E os nossos segredos nunca ditos, nunca notados por nós dois, 
perdidos numa intimidade, nessa cumplicidade, eu sei que ninguém vai saber.
E as nossas risadas tão destoantes e exageradas, apaixonadas e apaixonantes.
Ah, essas eu tenho certeza que ninguém nunca vai ter.



quinta-feira, fevereiro 23

Doce, não tão doce assim


Tem gente que me prova achando que sou doce
Tem gente que acha que pode se lambuzar
Tem gente que me quer no bolso sempre
pra dar sabor nos intervalos das refeições.

Tem gente que finge gostar de mim assim, tão doce
Tem gente que nem quer experimentar, doce demais enjoa
Tem gente que deixa o doce guardado na geladeira
e quando vai procurar, não encontra mais.

Tem gente que não percebe que não sou tão doce
Tem gente que só sente minha acidez depois que prova
Tem gente que não aguenta nem uma dose de mim
Desse doce, que não é tão doce como pensam.


Vez em quando eu costumo variar 
entre um doce ácido ou amargo no final.
Mas dependendo do paladar de quem prova,
a gente inclui até pimenta.








Deveras, sou rosa!


E quem me vê assim, sempre flor, às vezes se esquece que tenho espinhos. E pior ainda, quando descobre que tenho, subestima-os. Tem gente que me pega com força, acaba me sufocando e ainda se surpreende quando percebe que eu posso ferir e fazer sangrar. O engraçado é que sempre culpam a rosa, sendo que tudo, "exatamente tudo", depende da maneira como a tocam. 
É  tudo consequência, meu caro! 
Aprenda a lidar com uma rosa, e a única coisa que obterá dela, é perfume. Deveras, sou rosa!

Quem costuma ignorar o fato de rosas terem espinhos,
costuma também deixar de colhê-las quando se espeta algumas vezes,
 contenta- se com qualquer flor, desde que ela não lhe ofereça riscos




terça-feira, fevereiro 7

Coração de flor


Se eu lhe oferecer uma flor, 
ó moça bonita!
Dê-me depressa o teu amor.
Pois se dou-lhe flor,
 é por não saber como entregar em tuas mãos
 o meu coração de menino,
que fica nesse desatino
só por te ver passar.

Se eu lhe disser um "Eu te amo"
assim, meio avexado,
ó moço galante!
Dê-me logo um beijo.
Pois quando tu me beija,
parece que diz me amar também
 e de vez em  quando,
eu acho que sinto
esse teu coração de menino
 pulsando nas minhas mãos.

É que quando se ama coração vira palavra,
 pulsando nos versos, na batida de uma canção...

segunda-feira, fevereiro 6

...

 Achei por aí... rs'

Sem amor


O que poderia vir a ser o amor
Se não um cuidado com afinco?

Como cresceria o amor,  assim feito flor
Se um coração não se pusesse a regá-lo?

Como tornaria-se visível o tão falado amor
Se os olhos não brilhassem tanto,
quase como jorrando lágrimas, e lágrimas de felicidade.

Como seria o amor sem verso e prosa?
Como seria o amor sem o querer comum?

Queria mesmo saber...

Só não quero que  atreva-se a  me ensinar
Como seria esse meu amor, sem você.

terça-feira, janeiro 17

Pouse



Pouse aqui, venha
Não precisa ter medo
Venha tranquila, se amanse.

Nem sempre sou este ser que deixo ver
Às vezes deixo de ser espinho
e permito fazer-me flor.

Pouse aqui, venha.
Deixe eu sentir que confias em mim
Confie em mim!

Mas se quiser voar novamente
Voe logo, nem deixe que eu perceba.
Sabes bem que jamais te prendi,
és livre para partir 
e nunca mais voltar.



sexta-feira, janeiro 13

Nem mil constelações...


Significantemente, intenso.
Incontestavelmente, verdadeiro.
Inexplicavelmente, amor.

São os olhos mais lindos que já vi. Não falo dessa beleza esteticamente imposta, me refiro ao inconfundível brilho daquele olhar. Eu poderia passar uma eternidade a contemplá-lo. Não tenho dúvida alguma  que seria melhor do que admirar qualquer constelação celeste.
E aquela voz? É a mais doce e presente que já escutei. Eu vivo procurando-o nas oscilações de tons e vivo me perdendo em meio aos teus sussurros. Quando fala parece que canta, mas acho mesmo é que me encanta com seu falar. Eu gosto de escutá-lo, poderia recordar-me por centenas de vezes em um mesmo dia, a tua voz sussurrando a mim o teu amor.
Tem um abraço que é mais composto de coração do que dos próprios braços, dá até pra sentir tuas batidas como se fossem do meu próprio coração. Teu abraço tem sido o meu esconderijo preferido de uns tempos pra cá, dentro dele eu esqueço de tudo e nunca me sinto só.
E tenho dito, que ele tem tudo o que me conquista, que me encanta, que  me acalma e me traz paz. 
Acho que Deus o fez pra me presentear. E agora que estou desembrulhando, estou tendo certeza, já que eu o descobri  assim...

... parecendo tão perfeito, pra mim.